Conheço um rapaz que até alguns dias atrás era mantido refém, vítima de seqüestro. Conhecidos agricultores do interior de São Paulo, seu pai e tio gozam de prestígio em sua região, o que chamou a atenção também de criminosos covardes, que fizeram da vida desta família um verdadeiro inferno durante 46 dias.
Acompanhei de longe a angústia a que toda a família foi acometida. Constatei pessoalmente a tristeza destas pessoas, cujo pavor de ter acontecido o pior aumentava com o passar dos dias, que vinha um após outro sem notícias. E então, na segunda-feira 22 de Maio último, veio a tão esperada informação: a polícia localizou o cativeiro e libertou o rapaz e uma garota, outra vítima dos mesmos criminosos. Enfim, paz, felicidade e tranqüilidade voltaram a fazer parte do dia-a-dia de uma família de pessoas de bem e muito trabalhadoras. Mas a pergunta que não quer calar é: até quando?
Este é apenas um caso, dentre tantos, que chegam até nós pelos noticiários que não parecem ter outra coisa a noticiar além da criminalidade, sintoma claro de que nossa sociedade padece de um mal que parece incurável. A proporção entre as pessoas boas e as más diminui a cada dia, e não é distante o momento em que as más serão em maior quantidade que as boas, caso não seja tomada alguma iniciativa que realmente dê fim a tudo isto. Cito alguns casos recentes e de conhecimento popular: casal assassinado na saída de uma casa de shows; seqüestros-relâmpago e seqüestros duradouros em andamento todos os dias; assassinado de um rapaz jovem como vingança pelo irmão ter arrumado uma briga; assassinatos por acerto de contas com traficantes de drogas; tráfico de drogas dentro de vagões de trem na zona leste de São Paulo. A lista de crimes é por demais extensa, mas as providências para que isto termine são quase nulas. E isto sem fazer referência aos crimes administrativos com que nos deparamos, cometidos pelos representantes do povo no poder.
Diante de tudo isto, o que fazer? Desarmar a população e deixar os bandidos ainda armados é uma solução? Não acredito que seja. Mandar menores infratores para as unidades da Febem? Tampouco isto tem resolvido os problemas. Detenções e reclusões? Bem, antes temos de construir novas penitenciárias, já que as existentes não aceitam mais reservas, tão cheias que estão. São todas medidas falhas, que não recuperam os criminosos e nem ao menos nos traz segurança, já que eles saem das prisões com novas idéias e ainda piores do que estavam ao entrar.
Passou da hora de alterarmos nosso Código Penal. Tenho algumas sugestões a fazer: cada preso e/ou detento deverá fazer os serviços na penitenciária, em escala de revezamento. Cozinhar, limpar chãos, banheiros, etc. Quem se recusar a trabalhar não terá direito às refeições, hoje pagas pela sociedade que trabalha pra mantê-los vivos. Em caso de rebelião, TODOS os presos serão mantidos em regime disciplinar diferenciado por cinco dias; em caso de recorrência, mais sete dias no mesmo regime e aumento de 1/3 da pena. Todos os bens danificados deverão ser reparados pelos próprios presos, com trabalho extra para pagar pelos danos causados ao patrimônio de que fazem uso. Crimes hediondos, como assassinatos, estupros e seqüestros serão punidos diretamente com o regime disciplinar diferenciado. Entre muitas outras sugestões.
O quê? A Comissão dos Direitos Humanos discorda? Ao diabo com estes vermes, que somente defendem bandidos e cidadãos que fazem mal à sociedade! Ainda espero a visita destes senhores para verificar o estado da família que foi vítima do seqüestro acima citado. Onde estão eles pra defender o que está disposto na Constituição Federal, o direito à liberdade, o direito de ir e vir? Somos nós, as pessoas de bem, que estamos presos, enjaulados numa cápsula de hipocrisia, onde impera a certeza de impunidade aos malfeitores, que se multiplicam ao ver que não há castigo para eles. Se os jovens de minha geração eram “o futuro da país”, não viverei pra ver este futuro...
Dou por terminado este desabafo, já que sou apenas um cidadão que não tem mais esperanças nos governantes. E que sonha com o dia em que a Comissão dos Direitos Humanos lute pelo direito dos humanos direitos, não destes seres a quem dão proteção.