Maktub


21/03/2007


Ensaio sobre o Amor

Parte II - Como se formam os casais

 

Novamente dispensamos qualquer seriedade, e já lhes adiantamos que A Verdade, no presente discurso, não se trata do fim colimado. Persiste, contudo, a curiosidade dos incautos, cujos sonhos inda buscam atingir.

 

         Pretendemos dar seguimento a esta análise lógica e absolutamente despretensiosa sobre o Amor. Sabemos, que nem todos serão cúmplices desta conclusão, e é nesta medida que já será motivo de aplauso e contentação, se provocarmos a mera reflexão sobre o assunto.

 

Sim, por breves linhas já defendemos que o Amor é, acima de tudo, PERFEITO. E se aceitarmos essa característica primeira, teremos que entender também certas particularidades que derivam desta perfeição.

 

Destarte, pedimos desde já que os jovens casais tenham cautela. E se o sentimento que os une é grande ao ponto de ser nomeado Amor, maior cautela deverão ter. Pois, que sendo o Amor perfeito, não poderá ser em hipótese alguma egoísta. Entendam, se querem perpetuar esse sentimento maior, jamais o reduza a uma só pessoa. Pois o Amor que se julga verdadeiro, não pode resumir-se somente ao ser amado, por mais digno que ele seja.

 

De que lhe adianta fazer juras de amor à sua companheira, reservando a ela o que há de melhor em você e todo o seu carinho, toda sua compreensão, toda sua atenção, para logo em seguida lançar à má sorte, demonstrar-se insatisfeito e desprezar ao próximo? Para que serve dizer em voz alta e até mesmo profunda um: “Eu te amo!”, se no instante seguinte já está a maldizer qualquer pessoa que lhe cause desagrado, por justo ou injusto motivo? Recorda-se em seu íntimo que o Amor não se enraivece, nem se revolta, não se ofende, nem é alvo de ofensas.

 

Meu amigo, se seu coração nutre um afeto tão imenso por outro ser, ao cume de acreditar fielmente que está amando, bendita seja a sua sorte. Entretanto, se este sentimento não se mostrar suficiente para aplacar a fúria súbita causada por uma injuria, pondera bem o seu sentir, ou nomeia-o de outra forma.

 

Compreenda, o Amor se manifesta de diferentes formas, mas tenha em mente que tais formas de expressão, em hipótese alguma, alteram suas características de pureza e perfeição. É certo que o Amor para com nossos pais, irmãos, amigos, ou companheira se manifesta de maneira distinta, mas não é certo que devemos permitir sermos mais carinhosos com nossos pais do que com os nossos irmãos, ou sermos mais compreensivo com nossa companheira do que com nossos amigos, pois o Amor sendo perfeito é também equânime, não enxerga preconceitos ou diferenças.

 

Não temam o Amor, nem mesmo receiem amar. Entreguem-se a esse bálsamo, sintam-se capazes e merecedores deste dadivoso presente. Lembrem-se, ao contrário do que se ouve pelos cantos, o Amor não é o sentimento dos fracos, pois estes mergulhados em sua própria autopiedade e imersos em confusão de sentimentos, chegam ao temeroso engano de confundi-lo com um tolo e nefasto apego. Acreditem, o Amor é terrivelmente poderoso, forte o suficiente para aplacar uma tempestade com um leve sorriso, ou evitar um guerra com um singelo cumprimento. O Amor é tão antigo quanto o próprio universo, e tão imprescindível para o equilíbrio dos mundos quanto a própria sabedoria de Deus.

 

Por fim, sejamos heróis de nossos próprios destinos e façamos do Amor o nosso mais precioso objetivo. E assim, criando novas e positivas circunstâncias, deixemos que o Amor penetre cada ato, cada palavra ou gesto, para que na contramão da vida possamos demonstrar aos que deixaram de acreditar nesse ideal que não apenas somos capazes de Amar, como nos tornamos expressões do próprio Amor na Terra.


por Thiago Wondjov 

Escrito por Paulo Marcelo às 14h37
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02/02/2007


Paratyso

Férias, taí uma coisa que geralmente é esperada por todo mundo, desde a criança que desejam brincar horas a fio aos adultos, ávidos de descanso após meses de árduo trabalho. Comigo não foi diferente e o roteiro desta vez foi a cidade histórica de Paraty-RJ.

 

 

Sim, tínhamos esta vista de nossa barraca

 

Rumamos para a poliglota1 Paraty ainda no final de Dezembro, pois pretendíamos passar a virada de ano por lá e esticar alguns dias. A viagem foi feita com aquela chuva fina e tempo nublada, bem típica da região norte do litoral de São Paulo e sul do litoral do Rio de Janeiro. Mas a empolgação não foi vencida pela cara feia do tempo e tudo era festa. Ao som de Janis Joplin e outros clássicos do bom e velho rock’n roll, chegamos à cidade histórica, já bem cheia de turistas, sem ter certeza de onde ficaríamos, apenas com a idéia de acampar. Rumamos para o camping Praia do Corumbê, na praia de mesmo nome, onde encontramos uma deliciosa hospitalidade com um ambiente irresistível. Armamos, então, nossa barraca de frente para o belo mar de Paraty, um cenário tão belo e aprazível que deu vontade de deixar tudo pra trás na selva de pedra e ali ficar para sempre, em paz com a natureza.

 

 

 

Está servido?

 

As praias da região são bonitas e agradáveis, mas para quem quer praia de verdade precisa visitar as ilhas. São diversas e há um sem número de barcos e escunas que levam os turistas para conhece-las, o que torna a viagem muito mais divertida a proveitosa. Diante disto, tomamos uma escuna, após alguns dias desbravando as praias cujo acesso se atinge pela famosa Rio-Santos, e visitamos quatro das mais belas ilhas – dentre dezenas – da região. As aguas límpidas e cristalinas, em diferentes tons de verde, eram um convite ao mergulho com equipamentos próprios, de forma a ver, in loco, a beleza indescritível da vida marinha. Peixes coloridos, pequenas formações de corais, moluscos, etc. Embora o tempo não estivesse dos mais claros neste dia, foi possível deleitarmo-nos com tudo o que um passeio como este dá direito, e o dia terminou com uma deliciosa pizza como, para minha surpresa, nunca havia comido. Nem aqui em São Paulo.

 

 
Minha deusa e seus amiguinhos marítimos

 

Também visitamos cachoeiras, riachos que deságuam na praia e passeamos muito pela cidade. Foram dias deliciosos em que todo o estresse do corrido dia-a-dia dá lugar ao descanso em meio a uma natureza belíssima e muito Amor, ao lado da pessoa mais indicada e da minha melhor companhia. Tem amo, Gói-Gói!

  


Que pena que acabou... snif

 

Querem ter merecidos e deliciosos dias de descanso? Conheçam Paraty. E aproveitem o que ela tem de melhor: tudo.

 

1 – Paraty recebe turistas de muitas regiões do Brasil e também do mundo, sendo que a maioria de estrangeiros são alemães. Todos os restaurantes possuem cardápios em inglês para estes e alguns também os têm em alemão.

Escrito por Paulo Marcelo às 14h52
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01/12/2006


O primeiro solo de Paulo Marfes – do céu ao inferno em 4 ensaios

Viver é um grande desafio. E logo que nascemos temos apenas a certeza de que não viveremos para sempre. Durante todo o tempo de nossa existência física, um sem número de acontecimentos nos marca e são responsáveis pela nossa conduta além de, geralmente, apontar os caminhos que seguiremos nesta jornada evolutiva.

 

Ainda durante os ensaios da “HMS Pinafore”, fui abordado pelo preparador do coro, que me ofereceu um pequeno papel para a próxima ópera a ser montada pelo grupo, em proporções reduzidas, no saguão do teatro. Uma ópera pequena, de apenas 30 minutos. “Deve ser um papel pequeno, posso dar conta”, pensei, em fração de segundos, e aceitei. Antes não o tivesse feito.

 

Já havia um tempo estava sem fazer aulas de canto. E o impacto destes meses sem aulas era sentido a cada ensaio no coro. Mas nunca, de forma alguma, o baque poderia sido tão grande quanto foi ao iniciar os ensaios como solista. É claro que os inexperientes tendem a ficar nervosos, tensos e inseguros. Mas comigo não foi apenas insegurança ou tensão. Eu sentia uma verdadeira paúra nos ensaios. Uma coisa horrível que quase me paralisava as pernas, com o suor escorrendo e os músculos tesos. A laringe parecia querer sair da boca e as veias encheriam baldes, se furadas. Seria mesmo muito incomum se a voz saísse a contento com um quadro deste tipo.

 

Estudava as músicas em casa e o resultado era melhor do que nos ensaios, o que me levou a crer que era apenas o nervosismo que me atrapalhava junto aos demais colegas. Mas não houve jeito de conseguir cantar direito nos ensaios e até mesmo os ensaios cênicos eram prejudicados, já que meus movimentos eram tão amplos quanto os braços do Horácio1. Vi filmes, pedi conselhos a amigos e minha irmã – atores com experiência – e nada de conseguir progresso. O nervosismo, de fato foi o maior vilão. Mas não fora o único.

 

Após quase dois anos de aulas particulares, fui obrigado a admitir algo em que eu não queria acreditar: meu ex-professor não soube trabalhar minha voz. Natural, até porque eu mesmo não sabia exatamente qual era o meu tipo de voz, já que emito as notas graves de forma interessante e as notas agudas vão além do que tessituras graves alcançam. Contudo, este não foi o motivo que me deixou num misto de enraivecido e chateado, mas, sim, o fato de que ele, com toda experiência e popularidade que possui no meio, não foi capaz de corrigir dois problemas seriíssimos em minha (falta de) técnica: apoio e respiração2. Eu gostaria de acreditar que ele não detectou esta deficiência, mas até alunos de canto puderam identificar o problema. Fica o gosto amargo na garganta por todo este investimento e tempo desperdiçados.

 

(continua...)

Escrito por Paulo Marcelo às 15h20
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(continuação)

 

O último ensaio foi curioso, já que senti pequenos progressos com a colocação da voz, ao mesmo tempo em que o nervosismo aumentava ainda mais. Os tremeliques pareciam fazer tremer até a voz. Foi então que outra deficiência minha ficou ainda mais evidente, devido ao mesmo nervosismo: minha percepção musical é quase nula. A afinação caia e subia, mas nunca acertava as notas. Nervoso, então, a coisa não ia melhorar nunca.

 

Cheguei para o ensaio seguinte e o maestro me chamou para conversar. Perguntou muitas coisas, explicou outras, concluiu outras mais e disse que não queria que eu fosse exposto a fazer algo ruim, já que eu não estava preparado – não ainda – para um solo. Evidentemente que ele também se preocupou com a qualidade do trabalho do grupo, que tem recebido críticas elogiosas sobre sua evolução, e não poderia por isto a perder por causa de um solista despreparado. A conclusão foi a óbvia: eu estava “demitido” do papel.

 

Naturalmente abalado, mas não surpreso (para quem acredita em intuição, eu praticamente sabia o diálogo que ele teve comigo no dia anterior), já que sou auto-crítico por excelência e reconheço que não fiz um trabalho sequer razoável. Entendo e concordo com a postura do maestro. E a chateação é maior por todo o conjunto de acontecimentos e, principalmente, pela minha incompetência nos estudos. Isto é algo que não passará tão cedo.

 

De qualquer forma, agradeço por todo o apoio que recebi de alguns colegas no grupo e desculpo-me pela falta de preparo. Mais ainda para quem não cria na minha capacidade e que estava certo, apesar da rudeza de atitudes. Agradeço ao maestro e ao nosso preparador, que tiveram toda atenção para comigo e respeitaram meus limites. Agradeço também pela confiança, embora eu não a tenha honrado como devia.

 

A lição maior é o aprendizado de vida que tive. Agora entrei definitivamente na hora da decisão entre seguir com os estudos de canto e aproveitar a boa voz que tenho – isto não sou eu quem digo, creiam – ou dedicar-me a outras atividades profissionais. Esta será a primeira grande decisão de minha vida. E também a mais difícil até o momento.

 

Fiquem em paz.

  

1 – Personagem criado por Maurício de Souza, é um pequeno e simpático dinossauro cujos braços não existem e as mãos são juntas do tronco.

2 – Apoio e respiração: técnicas aplicadas ao canto em geral que permitem a emissão livre e correta da voz.

Escrito por Paulo Marcelo às 15h19
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27/11/2006


A felicidade de Amar e ser Amado

Sim. Insisto em grafar Amar e seus derivados com a inicial maiúscula, mesmo quando não se trata de início de frase. E não me canso de repetir o motivo.

 

Tenho uma concepção que varia da maioria das pessoas sobre o Amor. Enquanto muitos dizem por aí que amam fulano e noutro dia já está amando outro(a), eu faço referência ao Amor sublime, aquele que não escolhe credo, raça, cor ou opção sexual. Falo do Amor que faz pela pessoa tudo o que pode e se esforça por aprender e conseguir fazer o que não sabe. É o Amor que se entrega, que dá de si por inteiro sem esperar do próximo o retorno. Aquele Amor que não é egoísta, não quer ter uma pessoa por saber que ninguém pertence a alguém, mas que procura seu convívio por motivos diversos e complementares. Enfim, o Amor que, creio, rege todo o universo.

 

E baseado nesta concepção, corro o risco de ter um texto deste não somente mal interpretado, mas também muito invejado. E corro este risco certo de que não o faço por soberba, mas porque faz parte da concepção do sublime Amor que este seja dividido e oferecido aos demais, para que sua energia possa se expandir e nutrir quem a recebe com o mesmo Amor. Se Drummond já dizia que “amar se aprender amando”, sou feliz em afirmar que isto é certo e irrefutável.

 

Há pouco mais de um ano, iniciei um relacionamento que começou de forma bastante curiosa, ate porque foi no meio musical em que a conheci. Até então, a musa dos meus enleios, era apenas a bela maquiadora que nos preparou para a ópera. Linda e sensual, chegou arrastando os olhares de todos meus “concorrentes”, alguns destes bastante atrevidos. Mas um comentário machista de minha parte, feito ao amigo que a apresentara ao grupo, abriu-me as portas para a felicidade.

 

Após os costumeiros contatos de conhecimento, eis que rompemos nosso silêncio amoroso e o beijo inesquecível selou, sem saber que ali brotava mais do que um pequeno envolvimento entre um homem e uma mulher, a união entre duas almas eternas e amantes. Aquele beijo, terno e sôfrego ao mesmo tempo, nos fez sentir as ondas eletromagnéticas serpenteando pela coluna e subindo em direção dos céus. Ascendeu-nos a serpente ígnea da energia criadora. E desde então nosso Amor, que não é egoísta e não trata ao outro desta forma, se expande a cada minuto.

 

Oxalá possa todos que leram e que não leram estas linhas sentir as delícias do sublime Amor. Este do qual falei, este que nutre o mundo de energias positivas, que vibra em paz e sacia todas nossas necessidades. Este que insisto em grafar Amor.

 

 

* Texto dedicado à minha musa, Carol. Te amo, doçura.

Escrito por Paulo Marcelo às 13h19
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07/11/2006


HMS Pinafore

“Let’s give three cheers for the sailors bride...”

 

 

Nos dias 27, 28 e 29 de outubro o HMS Pinafore ancorou no Theatro São Pedro–SP para três récitas recheadas de boa música com cenas pra lá de engraçadas. Sucesso indubitável, com rasgados elogios tanto por músicos quanto pela classe teatral, os integrantes do Núcleo Universitário de Ópera e da Orquestra Filarmonia mostraram que, sim, é perfeitamente possível fazer um espetáculo de “baixíssimo orçamento” (como o próprio capitão Corcoran disse nas récitas) sem perder a qualidade. Figurinos belíssimos (que inclusive estão sendo pedidos pela organização do teatro para seu acervo), cenários bem caracterizados e diversão acima de tudo permitiu à platéia um sem números de gargalhadas, protagonizadas pelos solistas mais hilários que um grupo pode ter. Mas nem tudo foram rosas para a consumação deste espetáculo.

 

Os marinheiros querem a Buttercup
Os marinheiros querem a Buttercup para eles

 

Iniciamos os ensaios desta opereta, composta pela famosa dupla britânica Gilbert & Sullivan ainda em Abril deste ano, intercalando com os ensaios da “Ópera dos três vinténs”, de Bertold Brecht & Kurt Weil, também apresentada por nós em Maio/2006. Desde então o intenso trabalho de preparação corporal e musical impôs um ritmo de ensaios que variava de três a quatro vezes por semana, especialmente após o mês de Agosto. Por ser uma ópera com poucos diálogos, a parte musical exigiu muito esforço, paciência e dedicação, já que cantávamos muito da ópera – especialmente os marinheiros. Foram estresses, desgastes físico e emocional, broncas e mais um sem número de detalhes mais que suficientes para elevar os ânimos de todos, alguns mais (eu assumo estar neste grupo) e outros menos. Houve diversos dias em que eu sentia tanto cansaço que não sabia se agüentaria ir até o final. Pausa. Lá no fundo eu sabia que não deixaria o barco afundar nem se os Piratas1 aparecessem.

 

Trabalhos em grupo não costumam correr com 100% de acordo entre seus integrantes, ainda mais no meio artístico, onde a guerra de vaidade geralmente faz feridos seus próprios soldados. Várias vezes ouvi burburinhos, “diz-que-me-diz” e opiniões infundadas sobre este ou aquele fulano. Isto gera, naturalmente, um desconforto enorme entre o grupo e então lembrei-me das palavras de um professor de canto: “Não caia na besteira de se meter em conversas de cochia, Paulão. Estas porcarias são mais que suficientes para prejudicar todo um trabalho e gerar inimizades de todos os lados.” Sábias palavras.

 

O marinheiro gatão com a tia velha
O marinheiro gatão com sua tia velha. Te amo, minha linda!

 

Enfim, em meio a cansaço, vaidades e estresse, o grupo chegou aos ensaios gerais já muito mais unido e coeso, até porque houve um detalhe bem curioso: houve colaboração de todos em tudo. Sim, a despeito de todo o descrito acima, a união geral prevaleceu. Uns ajudando nos figurinos, outros com auxílio musical, outra na maquiagem, etc., mas todo mundo estava unido. Todas energias concentradas para fazer um espetáculo de alto nível para o público. Uma vez no palco, era todos por todos, um ajudando o outro e todos fazendo o mais importante: se divertindo. E não há palavras que me permitam expressar o quanto foi divertido e delicioso participar de mais esta montagem. Mais amigos criados (e isto não é contraditório, acreditem), amizades antigas muito reforçadas e a certeza renovada de que, uma vez que se trabalha com arte, sabe-se que o prazer maior é compartilhar a sua diversão com o espectador. É dividir a sua história com o outro sentado na poltrona. Seja a obra cômica, dramática, absurda.

 

O trio mais cara-de-pau do navio!
O trio mais cara-de-pau do navio.

 

Agradeço ao maestro Paulo Maron pela confiança, ao Gama pela dedicação e paciência, à Marilia pelo indizível trabalho corporal, à minha deusa amada Karol pela maquiagem (o João Paulo ficou impagável como Dick) e a todos amigos que direta ou indiretamente me ajudaram a participar de mais esta maravilhosa montagem. Oxalá eu consiga, um dia, retribuir à todos como merecem.

 

Até a próxima!

 

1 - "The Pirates of Penzance" (Os Piratas de Penzance) foi encenada pelo nosso grupo em Agosto e Setembro do ano passado.

Escrito por Paulo Marcelo às 14h08
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19/10/2006


Te amo, mulher!

* dedicado à minha musa Carol :-)


Sou feliz, minha musa, por ter-te comigo
Nos braços e abraços, afagos, desejos.
No leito, acolhido em teu seio amoroso,
Recolho meu corpo em teu corpo sedoso.


Acordo feliz por te ver ao meu lado,
Pois já de manhã teu sorriso é sincero.
A ternura que nos envolve é tão grande
Que desejo este Amor ao mundo espalhado
Em forma de ajuda, carinho, humanidade.
Pois sofre quem não tem a oportunidade
De um Amor como o nosso sentir,
Sofre até com sua própria maldade.


Sim, a cumplicidade é marca indelével
Que une-nos mais no Amor tão bendito.
Companheira em tudo, fiel escudeira,
Agradeço aos céus por teres me escohido.


Te amo, mulher!

Escrito por Paulo Marcelo às 10h33
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02/10/2006


Resumão de setembro

Olá! :-)

 

Neste mês de Setembro eu pensei em muitos assuntos para postar. Evidentemente, não postei e não estou lembrando de todos. Pena. Agora vou ao resumo citado no título antes que esqueça de algo mais.

 

Primeiramente devo falar da rotina exaustiva de ensaios a que estamos (sim, incluo minha namorada nisto) sendo acometidos. São de três a quarto ensaios da ópera por semana mais um ensaio da Ciabatta, com o musical do Robin Hood. Hoje, mais do que sempre, eu admiro minha irmã, pela dedicação dela às peças das quais participa. Eu sempre disse para ela que era louca, que não tinha tempo para nada, mas acabei me vendo em igual situação ou pior. Não pensem que isto é uma reclamação DOS ensaios (apesar de que ando meio de saco cheio de uns deles...), mas sim da rotina exaustiva de trabalhar numa área totalmente à parte das artes e chegar já cansado para os também cansativos ensaios. Tem hora que dá vontade de gritar e sair correndo. Oxalá possa o palco nos dar o alento de que já falei um tempo atrás...

 

...

 

O micro do serviço travou semana passada!! Sim, o RUÍNDOWS, como já é de costume, fez uma coisa que nunca havia feito comigo e me deixou mergulhado num quase desespero por dois dias. Felizmente um programa chamado Handy Recovery me salvou do limbo e me ajudou a recuperar todos os dados que haviam sido formatados. Bios1? Pode até ser. Mas nunca o windows me havia apagado partições numa reinstalação... arre!

 

...

 

Então cheguei aos 26 anos! Foi no último dia 25. Volto a agradecer a todos meus amigos e amigas que me cumprimentaram e desejo em dobro tudo o que vocês a mim desejaram! Obrigado de coração! :-D

 

E ontem, dia 01/10, fizemos um churrasco para comemorar o dito aniversário. Como sempre muito divertido, vários amigos presentes – e alguns ausentes – e muita comilança da boa. Apesar de uns bons minutos de chuva forte, deu para festejarmos aos montes. Estes eventos, apesar de cansativos, são deliciosos e eu não me canso de querer fazer mais e mais. Obrigado a todos que participaram.

 

...

 

Algumas surpresas na eleição de ontem, não é? Eu tinha plena certeza de que o barbudo ganharia no primeiro turno, mas o picolé de chuchu acabou levando ele para o segundo turno e, imagino, deverá sair vencedor. Pergunta: qual dos dois é “menos pior”? Lula foi, no mínimo, inocente ao não participar dos debates; não somente perdeu votos como os passou para o Alckmin. E pode ter assinado seu óbito no palácio.

 

Outras surpresas consideráveis: Collor foi eleito senador por Alagoas (esta não é uma surpresa tão grande, afinal, é sabido que sua família manda e desmanda por aquelas bandas...) e Sarney pelo AP – o curioso é que este senhor não deveria se candidatar a um estado diferente do seu de origem. Nosso mais famoso colarinho branco foi o deputado federal mais votado do Brasil. Isto mesmo, Paulo Maluf ultrapassou os setecentos mil votos. Pergunta: será que o brasileiro ainda não sofreu o suficiente ou é masoquista mesmo? Clodovil em segundo lugar não foi surpresa, devido a sua popularidade, assim como o forrozeiro Frank Aguiar, que ficou em terceiro (diabos!! Este cidadão é deputado federal por São Paulo!! Isto deveria ser proibido!!).

 

Até mais ver!

 

PS: Nosso amigo Raph, citado neste blog há pouco tempo, está novamente passando por um momento delicado. Desta vez é seu pai, que passará por uma cirurgia delicada amanhã, que o põe em preocupação. Vamos nos unir para mandar toda força e energia à ele. Tenho certeza de que tudo dará certo e em pouco dias ele estará 100% novamente. Força, amigão!

 

1 – BIOS – Bicho Ignorante Operando Sistema, famoso bordão de informática, fazendo uma brincadeira com a memória BIOS dos micros.

Escrito por Paulo Marcelo às 11h21
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23/08/2006


Um ano de "bela saúde"


Sim, eu sei que vocês não entenderam o título. Talvez alguns, os mais próximos de mim, tenham entendido. Pois então, explicar-vos-ei.




Há exatamente um ano, no dia 23 de agosto de 2005, eu vi pela primeira vez aquela que viria a se tornar a mulher da minha vida. Tá. E o que há de especial nisto, Paulinho? Várias coisas, respondo. A começar por ser uma pessoa especialíssima para mim, com quem deverei dividir o resto de meus dias. E pra não dar detalhes desnecessários, uma outra questão, até engraçada, foi a cantada que originou tudo isto. Justo de mim, reconhecidamente tímido e tosco na arte das cantadas...



“-- Mas que saúde tem sua amiga, hein?!” Foi esta frase tipicamente machista, dita para um amigo em comum a nós (o melhor amigo dela, cujo detalhe eu desconhecia), que despertou a curiosidade de minha amada que, pensou, quis saber quem fora o ‘abusado’ para não se aproximar dele. Felizmente os deuses deram a ela um gosto bem peculiar que permitiu, ao ver o tal sujeito (Eu! Eu!), o nascimento de uma atração que, posteriormente, se transformaria em Amor. Sim, com maiúscula, porque é deste Amor que falo. E se a alguns isto parece exagero, esperem até o post de aniversário de namoro...




;-)


Escrito por Paulo Marcelo às 11h29
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18/07/2006


O retorno de Raph

Amizade é algo que dispensa comentários. Ninguém opta por não ter amigos a menos que tenha algum sério problema emocional. Mas algumas amizades surgem de onde menos esperamos, adquirindo tamanha força, que se solidificam e passam a fazer parte de nossas vidas. É sobre isto que falarei neste post.

 

Conheci o Raph já faz mais de um ano, apresentados por colegas em comum de um fórum de música erudita, mesmo local onde fiz outros bons amigos. E, desde esta apresentação, passamos a conversar quase que diariamente pela internet, onde reunimos uma espécie de grupo que, mais à frente, ele mesmo deu o nome de “Mosqueteiros”. E fazem parte do grupo o Zé Luiz, Raí e Tiago, além de mim e do Raph. Cada um com suas características, cada um com seu jeito de ser, e todos amigos. E a coisa ia bem, já com a idéia de visitarmos o Raph em sua morada no interior. Mas o encontro não aconteceu porque outras coisas aconteceram antes.

 

Em julho do ano passado, Raph fez uma viagem aos EUA, de forma a visitar uns parentes e levar seus filhos para passar férias com os primos por lá. Acontece que várias coisas [1] se sucederam e o Raph acabou decidindo por morar lá com os meninos. Pois é, nosso encontro não ia mesmo sair do plano das idéias. A menos que fôssemos para os EUA, nossos encontros se maneriam com todo o fervor pela internet. Até que o Raph adoeceu seriamente.

 

Por quase 6 meses este cara nos deixou para se tratar de uma leucocitose [2] em um hospital situado em Baltimore. Por todo este tempo nossos papos ficaram reduzidos a algumas ligações, já que o tratamento limitara sensivelmente nossos contatos. Foi por pouco que não ficamos pra sempre sem a companhia, amizade e alegria deste sujeito que, tão repentinamente, apareceu em nosso círculo de amigos, e tão repentinamente nos estava sendo tirado.

 

A força que Raph demonstrou no tratamento é digna de ser seguida e admirada. Sua resistência foi baixada para o mínimo possível e o tratamento, intenso e doloroso, física e mentalmente, não foi suficiente para tirar-lhe a determinação e coragem, que se duplicavam a medida que qualquer progresso fosse feito. Num certo dia, ao ligar para ele e notar a melhora em sua voz, cri piamente que em pouco tempo ele estaria de volta ao nosso meio. E isto aconteceu no último domingo, 17.07.06, quando Raph finalmente pôde ser recebido em casa, num misto de felicidade e alívio, juntamente da sensação de ser vencedor. Vencedor do que pode ter sido o maior de seus testes pela sobrevivência. Vencedor dele mesmo. Enfim, vencedor. E recebeu o prêmio de voltar a viver e poder recomeçar tudo ao lado dos filhos e de sua família.

 

Como tudo na vida tem seu lado bom e ruim, em meio à turbulência de seu tratamento, conhecemos Sam, seu irmão, que foi peça fundamental e apoio importantíssimo para que Raph pudesse dar esta virada de mesa. Naturalmente que o Sam também virou nosso amigo. E como o destino prega suas peças, vamos nos encontrar com o Sam antes de nos encontrarmos com o Raph, e riremos da situação desse nosso grande amigo, que hoje olha para trás e avalia a enormidade de mudanças morais em sua vida. Muita coisa mudou para o Raph. Muita coisa mudou para seus familiares. Muita coisa mudou para nós. Mas quando a amizade é sincera, pode-se passar anos sem contato que tudo parece não ter saído do lugar ao nos reencontrarmos. E foi isto mesmo que aconteceu com os Mosqueteiros.  

 

Pleno de alegria e satisfação, com os olhos marejados pela emoção, findo este post.

 

Sem muitíssimo bem-vindo de volta, amigão!

 

[1] Os detalhes de acontecimentos não foram explanados em respeito à privacidade dos envolvidos.

[2] Segundo o dicionário Houaiss, “aumento da taxa sangüínea de leucócitos acima do limite superior da normalidade”.

Escrito por Paulo Marcelo às 11h42
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18.07.2006

Olá! :-)

 

 

Pois é... não é que fiz um churrasquinho na terça-feira passada? Apesar de ter (e não é mentira nem tampouco incentivo da namorada) um plano de, um dia, tornar-me vegetariano, atualmente sou um carnívoro voraz e quase insaciável. E qual não foi a conclusão do exagero cometido na ocasião? Desarranjo por 5 dias!! Blergh! Portanto, crianças, o tio Paulo indica que não sigam o exemplo grotesco dele e não exagerem nas refeições. Vocês passarão muito mal depois...

 

 

Mas como uma vez glutão, glutão até morrer, sábado reunimos em casa alguns colegas da capoeira (saudades...) para fazer um yakissoba. E o mais legal, feitos no fogão à lenha, hehehe. Quem ficou responsável pela lauta refeição foi, naturalmente, o mestre-cuca Paulinho, que não decepcionou os confrades e conseguiu fazer duas paneladas de yakissoba deliciosas. Todos comeram até acabar cada legume e, a menos que hajam mentido, muito satisfeitos. Portanto, mais uma receita aprovada do Paulinho. Querem provar? :-)

 

 

Eu e meu amor de namorada. Que cara de danada, namorada!

Escrito por Paulo Marcelo às 11h01
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03/07/2006


Adeus à copa!

E não é que, após um longo e ocioso (“blogamente” falando, é bom que se diga) começo de inverno, cá estou novamente. E não adianta, esquecerei de comentar muita coisa interessante apenas porque aconteceram e eu não postei no tempo devido. Mas que fazer, senão recuperar o tempo perdido, não é mesmo? :-)

 

 

Primeiramente quero comentar sobre nosso sucesso com a  “Ópera dos 3 vinténs” , apresentada em três esgotadíssimas récitas na primeira quinzena de Junho. Diferentemente do nosso trabalho com os piratas, esta é uma peça que, como toda obra de Bertolt Brecht [1] exige uma preparação cênica muito maior do que normalmente temos, em virtude de seu estilo único. E mesmo com todas as dificuldades que enfrentamos, recebemos uma crítica tão boa que fica difícil segurar o entusiasmo. Uma vez mais senti as delícias de estar no palco, dividindo o espaço com tantas boas promessas que existem em nosso grupo. Obrigado e parabéns a todos os integrantes! Foi novamente uma honra participar de uma montagem de grande nível. E obrigado ao maestro Paulo Maron, pela oportunidade e pelos excelentes projetos que são a Orquestra Filarmonia e o Núcleo Universitário de Ópera.

 


 

E junho chegou, trazendo com o frio as deliciosas festas juninas! Fizemos uma das boas em casa, com muita gente e comilança! A fogueira ardeu até altas horas da noite e o povo foliou um bocado. Até trio cantando modas caipiras teve! Uma delícia que, pena, aproveitei menos, já que corri feito um doido para cuidar dos detalhes e receber os convivas. As crianças, em especial a Khadjah, fizeram uma bagunça danada e todos se divertiram muito! Oxalá possamos fazer muitas destas festas ainda!

 


 

E não é que o Brasil zidanou (sic) na copa do mundo? RáRáRá! É bom você ser considerado o melhor time do mundo, repleto de “astros” e recordistas, não é? Bah! O salto alto fez o Brasil tropeçar em seu próprio engodo e foi empurrado pela apatia dos jogadores de sua aclamada (?) seleção de volta para casa. É evidente que perder faz parte das disputas e não é isto que nos irrita. O que nos irrita é a badalação em cima de gente que não merece e não se aplica. De jogadores que ganham milhões para nada fazerem. Sequer correm atrás da bola direito! E ver um lateral ajeitando as meias enquanto o adversário, que deveria ser marcado pelo dito lateral, é revoltante! Mas deu gosto, muito gosto, ver o “coitadinho e injustiçado” Ronaldo tomando um chapéu do craque do jogo, Zidane. Parabéns, povo brasileiro! Você dispensou tempo e dinheiro, reuniu gente pra pintar as ruas e enfeitar(?) a cidade com fitas e bandeirinhas, deixou de trabalhar e desacelerou a economia pra ver este tipo de jogador defender sua seleção. Bem-feito! Você merece! Eu quero só ver se agora terão a decência de reunir as mesmas pessoas para limpar a sujeira que estas fitas fazem nas ruas e nos fios. E agora, espero, o ano recomece para nós...

 

 

Chega? Ah, por hoje está bom!. Acho.

 

 

[1] Bertold Brecht (1989-1956). Dramaturgo, poeta e encenador nascido na Baviera. Abertamente contra o nazismo, sua obra faz severas críticas político-sociais, e procura popularizar a arte teatral e chamar a atenção do povo aos abusos do governo.

 

Escrito por Paulo Marcelo às 14h29
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18/04/2006


Mudança

Olá! :-)


O último feriado de páscoa foi dos mais proveitosos dos últimos tempos. Motivo? Finalmente depois de quase dois anos de reforma, mudamo-nos para a nova casa! Só quem teve a oportunidade de ver a casa antes da reforma a vê hoje e acredita no que vê hoje. E isto porque não finalizamos tudo! Pois que venham muitos dias felizes na nova morada! E sempre contando com a imprescindível companhia dos amigos! :-D


Abraços a todos!

Escrito por Paulo Marcelo às 13h14
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15/03/2006


DVD "Os Piratas de Penzance"

Olá, pessoal! :-)

Finalmente está disponível no mercado o dvd "Os Piratas de Penzance", ópera cômica em dois atos de Gilbert & Sullivan. Esta é a versão montada pelo Núcleo Universitário de Ópera juntamente com a Orquestra Filarmonia, ambos sob a batuta do maestro Paulo Maron. É uma montagem de estudantes, onde é perceptível algumas falhas da orquestra, bem como pequenos tropeços dos cantores. O dvd tem legendas em inglês e português, apresenta um bônus com 3 cenas cortadas, incluindo o dia em que a espada de Frederic se quebra (num ótimo improviso dos solistas) e ainda um álbum com fotos dos bastidores da montagem. As vendas serão destinadas a novas produções de óperas.


Ajudem a divulgar nosso trabalho! É uma iniciativa importante para tornar a música clássica acessível a todos. O link para a compra está logo abaixo.


Obrigado pelo apoio e até o próximo post!

http://www.lpcpro.com.br/lj/web/produtos_descricao.asp?codigo_produto=159

Escrito por Paulo Marcelo às 17h00
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13/03/2006


Fazendo arte

Um dia destes estava pensando sobre a satisfação que tenho ao trabalhar com arte. Refiro-me, aqui e especificamente, ao trabalho junto ao Núcleo Universitário de Ópera, grupo de estudantes de música clássica que, desejosos por mostrar sua arte, seu talento, trabalham após seus afazeres (alguns trabalham e estudam, outros apenas estudam) a fim de montar uma ópera com o máximo de qualidade valendo-se de parcos recursos, como é comum acontecer com quem faz produções sem incentivo por parte do governo. É como se fosse um trabalho voluntário, já que o ganho de cada participante é a experiência, que indubitavelmente será de grande valia para quem decidir mesmo por seguir a carreira artística.

 

 

Ao contrário do que possa parecer para alguns, o fato de não obter ganho financeiro com este tipo de trabalho em nenhum momento incomoda a mim, um neófito em busca de respostas acerca deste mundo tão maravilhoso que é a arte. Pode parecer conversa de ativista, mas é a forma como vejo a coisa.

 

 

Os ensaios são bastante cansativos. Não raro, saio deles tão exausto quanto seria num dia de trabalho no escritório. A diferença fundamental se dá pela satisfação gerada ao trabalhar com a arte da música e, no caso das óperas, também da interpretação. É leitura de partituras, acertos na afinação, entonação, impostação de voz, etc. Limitações pela inexperiência e pequenas frustrações ao errar são comuns, e me fazem pensar em minhas dificuldades com freqüência. E a vontade de continuar fazendo arte junto de outras pessoas sempre sobressai, então procuro estudar com mais afinco, ajudar em detalhes de produção, divulgação, marketing, etc. A vontade de ver a coisa dar certo, fazer sucesso de público, passar uma mensagem, incentivar a cultura e – por que não? – a possibilidade de vir a ganhar a vida com arte faz com que tudo isto valha muito a pena. Cada ensaio cansativo, cada centavo gasto, cada chateação e frustração, tudo isto não tem vez no palco. Abram-se as cortinas!

 

 

É indescritível a sensação de estar em cima de um palco, sendo visto por centenas de pessoas, mostrando um espetáculo que é fruto de um trabalho árduo, longo e muitas vezes penoso. É o momento em que todas as dificuldades são nada. É a hora em que solistas, coro, instrumentistas e pessoal técnico trabalham juntos, conduzidos pela batuta do maestro. É quando não faz diferença quem você é ou que personagem faz, se canta mais ou menos, se aparece mais ou menos. Só importa que se está ali, participando, colaborando e fazendo parte do espetáculo. Cada um fazendo a sua parte, mas todos unidos num só objetivo: fazer arte. E, como sempre diz o maestro Paulo Maron, se divertindo!

 

 

Bom espetáculo!

Escrito por Paulo Marcelo às 22h38
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